Respirando profundamente

Às vezes, você se sente sem energia mental, meio tonto, sem conseguir raciocinar, de tanto estar trabalhando ou estudando?

O cérebro é um órgão muito potente que consome muita energia e muito oxigênio. Para termos noção do poder cerebral, um cérebro humano adulto possui apenas cerca de 2,5% do peso total do corpo, porém consome cerca de 20% de toda a energia dele em forma de glicose, além de cerca de 25% do oxigênio da respiração (CNS, 2007).

Apesar da alta necessidade de oxigênio pelo cérebro, o ar que respiramos é composto por apenas uma parte de oxigênio. O ar atmosférico possui apenas 21% de Oxigênio (O²), e é composto por 78% de Nitrogênio (N²), além de 0,04% de gás carbônico (CO²), e cerca de 1% restante de outros gases e vapor d’água (PORTO, 2010).

Por muitas vezes, enquanto estamos concentrados em alguma tarefa, nossa atividade respiratória diminui e respiramos menos, o que faz com que o cérebro receba menos oxigênio e nossa produtividade baixe. A técnica então é simples: respirar profundamente algumas vezes durante o dia, enchendo os pulmões de ar e oxigenando o cérebro e todo o corpo. Desse modo, uma concentração maior de oxigênio auxiliará as reações químicas no cérebro.

Respirar profundamente auxilia na oxigenação do cérebro, o qual utiliza cerca de 25% do oxigênio da respiração. Imagem de martinak15, sob a licença Attribution 2.0 Generic (CC BY 2.0).

Prática de respiração

A técnica é bastante simples, basta inspirar o ar profundamente e soltá-lo lentamente, por algumas vezes seguidas. Sugiro que você experimente respirar desta forma por 9 vezes seguidas, para poder sentir os efeitos do oxigênio em seu cérebro. Mantenha a disciplina para realizar todas as respirações planejadas. Siga esses passos:

  1. Conte “Um…”;
  2. Inspire profundamente até encher seus pulmões;
  3. Respire lentamente soltando o ar;
  4. Repita os passos 1, 2 e 3 até a nona respiração.

A técnica pode ser variada dependendo da sua disponibilidade de tempo e capacidade para respirar. Você pode respirar 1 vez apenas, 3 vezes, 9 vezes ou 36 vezes. Essa quantidade aprendi em um blog de um monge budista em 2010, e sempre mantive essa contagem, porém é possível mudá-la e nem contar, apenas respirar até achar suficiente.

Além da prática de respiração, os exercícios físicos aeróbicos também auxiliam a oxigenar o cérebro por aumentarem o batimento cardíaco. Esses exercícios aeróbicos são os que utilizam uma grande quantidade muscular em um ritmo constante, tais como caminhar, correr, pedalar e nadar.

O que gosto de fazer é respirar profundamente três vezes antes de realizar alguma tarefa que precise de foco. Quando presto alguma prova importante, respiro de 9 ou 36 vezes antes de iniciar a prova.

Um bom momento para realizar essa respiração é quando você já está sentado aguardando a prova iniciar, e possui alguns minutos disponíveis. Já indiquei essa técnica para outras pessoas que me disseram que foi bom, aquela tontura no meio da prova diminui. Outro tempo bom para respirar é ao fazer um intervalo no meio de uma prova.

Respire ar puro

O nosso ambiente produtivo, seja no trabalho, na sala de aula ou em casa, comumente não possui ventilação do ar puro de fora. Busque respirar ar puro, pois possui uma concentração maior de oxigênio.

Deixe ao menos um espaço aberto para a ventilação externa. Enquanto o ar atmosférico possui 21% de oxigênio (O²) e 0,04% de gás carbônico (CO²), o ar que já foi respirado por alguém possui 16,4% de oxigênio e 4% de gás carbônico. Quando estamos em um ambiente fechado sem ventilação externa, a concentração de oxigênio vai diminuindo e o de CO² vai aumentando, até deixar a impressão de o ar estar “pesado”. Lembro dessa sensação durante a faculdade, com a sala toda fechada cheia de alunos e sem ventilação, era possível sentir o ar ficando rarefeito.

Normalmente, o ar-condicionado não troca o ar do ambiente. Ele utiliza o mesmo ar do ambiente para condicionar e ventilar, o que vai deixando o ar rarefeito de oxigênio.